quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Ó sino da minha aldeia
por Fernando Pessoa


Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.

E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto,
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
Receita de espantar a tristeza


Faça uma careta

e mande a tristeza

pra longe pro outro lado

do mar ou da lua


vá para o meio da rua

e plante bananeira

faça alguma besteira


depois estique os braços

apanhe a primeira estrela

e procure o melhor amigo

para um longo e apertado abraço.


Roseana Murray
O Grande Sonho

... e eu sonho que hás de vir. Sonho que um dia
mais ardente e mais bela do que eras,
virás encher de graça e de harmonia
meu jardim de tristíssimas quimeras

Sonho que hás de trazer toda alegria,
todo o encanto das tuas primaveras
ou que em um reino antigo de poesia
o meu amor, entre rosais, te espera

É nesse sonho de ouro mergulhado,
o teu vulto alvoral surgindo vejo
como um lírio das brumas do passado

E fico na ilusão de que tu vieste
o bálsamo estendendo do teu beijo,
sobre as próprias feridas que fizeste..
Alma querida

Nunca te deixarei,minha adorada,
Pois fazes parte do meu ser!
Estarei contigo nessa estrada,
Contigo em cada amanhecer.

Nosso amor vem do infinito e prossegue
Como o Sol, que nunca se apaga
Não há no mundo quem o negue:
Somos essência da mesma plaga!

Alceu Wamosy/Aparecida

Psicografia

Despedida

Num jardim todo enfeitado de amor,
Ofereci a ti uma eterna flor!

Olhaste-me com o sol no olhar,
A dizer-me que viveria sempre a me mar!

Vi,dentro dos olhos teus,
O mesmo sentimento dos olhos meus!

Dei-te a flor e começaste a chorar,
Temendo tão cedo não me reencontrar .

Sorri para ti,tenteando reanimar-te,
Mas tu me seguraste a mão,
Pedindo não mais deixar-te!

Apertei a tua mão e te disse:
"Hoje não há como ficarmos
Um do outro perto.

Porém, acredites! O nosso reencontro,
Sem mais adeuses, é certo!

Alceu Wamosy/ cidinha.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Cantinho Poético: Amor

Cantinho Poético: Amor: Será uma verdade a teoria das almas gêmeas? No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira d...

Amor

Será uma verdade a teoria das almas gêmeas?

No sagrado mistério da vida, cada coração possui no Infinito a alma gêmea da sua, companheira divina para a viagem à gloriosa imortalidade.

Criadas umas para as outras, as almas gêmeas se buscam, sempre que separadas. A união perene é-lhes a aspiração suprema e indefinível. Milhares de seres, se transviados no crime ou na inconsciência, experimentaram a separação das almas que os sustentam, como a provação mais ríspida e dolorosa, e, no drama das existências mais obscuras, vemos sempre a atração eterna das almas que se amam mais intimamente, envolvendo umas para as outras num turbilhão de ansiedades angustiosas; atração que é superior a todas as expressões convencionais da vida terrestre. Quando se encontram no acervo real para os seus corações – a da ventura de sua união pela qual não trocariam todos os impérios do mundo, e a única amargura que lhes empana a alegria é a perspectiva de uma nova separação pela morte, perspectiva essa que a luz da Nova Revelação veio dissipar, descerrando para todos os espíritos, amantes do bem e da verdade, os horizontes eternos da vida.

A atração das almas gêmeas é traço característico de todos os planos de luta na Terra?

O Universo é o plano infinito que o pensamento divino povoou de ilimitadas e intraduzíveis belezas. Para todos nós, o primeiro instante da criação do ser está mergulhado num suave mistério, assim como também a atração profunda e inexplicável que arrasta uma alma para outra, no instituto dos trabalhos, das experiências e das provas, no caminho infinito do Tempo.

A ligação das almas gêmeas repousa, para o nosso conhecimento relativo, nos desígnios divinos, insondáveis na sua sagrada origem, constituindo a fonte vital do interesse das criaturas para as edificações da vida. Separadas ou unidas nas experiências do mundo, as almas irmãs caminham, ansiosas, pela união e pela harmonia supremas, até que se integrem, no plano espiritual, onde se reúnem para sempre na mais sublime expressão de amor divino, finalidades profundas de todas as cogitações do ser, no Dédalo do destino.

A união das almas gêmeas pode constituir restrição ao amor universal?

O amor das almas gêmeas não pode efetuar semelhante restrição, porquanto, atingida a culminância evolutiva, todas as expressões afetivas se irmanam na conquista do amor divino. O amor das almas gêmeas, em suma, é aquele que o Espírito, um dia, sentirá pela Humanidade inteira.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Tempo de amar


Os tique-taques do relógio,

as batidas do coração,

Cada minuto de nossas vidas,

transformemos em oração!


"A melhor oração é amar!"

Busquemos aprender toda a lição

E por mais nos doa o coração,

Sigamos esperançosos a trabalhar.


A.W./Eu.

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Lembrança de ânimo


(Para , hoje saudosa, amiga Edith Ibsen)


Sofre, mas de fronte erguida!

O sol brilha, a lua irradia!

A dor, grande e tenebrosa dessa vida

Sabes que é passagem pra outro dia.


Dia sem lágrimas ou saudade

Dia sem tristeza, sem mistério

Dia da Luz imperecível, eternidade

Dia da Paz azul, do refrigério.


Não abaixes a cabeça constrangida,

Não desistas de ´ti, irmã querida!

Somos hoje o que somos!


Porém, amanhã, com esforço,

Gratos pelo peso que levamos no dorso

Sentiremo-nos filhos preferidos do Pai!


A.W./Eu.

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Poemas de amor

Refugio

Nas lidas do ganha pão,
Ela me aparece acenando,
Traz nas mãos o coração,
Que eu aceito descansando

Da dor, da desesperança...
Choro de amor, de felicidade,
Sinto-me pura criança
A se esconder da realidade.

Esse amor é minha vida!
Dá-me a força que preciso!
Ela é minha alma querida
Um bálsamo é o seu sorriso!

Escondo-me da realidade dura
Na nossa realidade preciosa!
Clareiam-me a estrada escura
Esse amor, essa mulher tão formosa!

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Minha Saudade

Que saudade dos teus olhos olhando os meus!
Que doçura eram teus lábios a me sorrir,
Revelando da tua alma a felicidade!

Nossas almas pareciam se confundir...
E ficávamos entre o sonho e a realidade.

Meu coração arde e sua chama ilumina
Meu caminho,nosso caminho,
Para a glória da união eterna!

Oh!Pai! Que abençoada sina
Nos reservaste! Que delicioso vinho
Este que vem da tua fonte Paterna!

Deus! Sê louvado, meu Deus!
Quanta sabedoria e quanto amor
Derramas sobre os filhos teus!


Alceu Wamosy/ Cidinha.

Poemas de Alceu Wamosy

Revelação

Triste paisagem, de alma esbatida e confusa
Céu sem luz, a chorar sobre a viúvez das rosas
Com que coroei a minha musa nas tardes dolorosas
do meu outono de recordação

Geme dentro de mim a divina tristeza de estar só
Sentindo o coração como uma velha urna
Onde dormisse, em pó, todo um sonho de amor e de beleza
Não há nada preciso:um acorde, um soluço,uma tinta,um sorriso
E bastava, no entanto, o gesto só de Alguém que eu não sei mais
[quem seja
Para se realizar como de encanto
Tudo o que o meu espírito deseja
E que veem os meus olhos à distância,
Sempre que a exaltação à alma me prende
Um par de asas em ansia

E o que o meu coração ansioso espera
Que se desvende
De graça, de paixão e de harmonia,
Tudo desvendaria
O seu olhar radiante de quimera...

Alceu Wamosy
Pela noite alta

Já reparaste? pelo outono,
nas noites frias e sem lua,
-quando um silêncio de abandono
cai sobre a enorme alma da rua-
como o beijo de luz que as janelas abertas
põem nas calçadas tristes e desertas,
faz reviver do fundo da memória,
por um milagre de magia,
um gesto morto e já olvidado,
o doce fecho de uma história,
sombra de amor, melancolia
vago perfume do passado?

Janelas alta noite iluminadas
deixando advinhar ao crivo da cortina,
suaves palavras murmuradas
por duas bocas bem-amadas
e a exalatação das almas postas em surdina...
Eu recordo,perdida,
longe, em um trecho azul da minha vida,
uma janela assim:
Oasis de branda claridade
dentro da noite, a transbordar felicidade,
para o mistério de um jardim...

E o fantasma da minha mocidade ,
só, debruçado junto a mim.

Alceu Wamosy

domingo, 18 de dezembro de 2011

Psicografia

Sobre o Natal


Feliz Natal!-dizem alegres os que têm pão e carinhos!
Boas festas!- exclamam ,sorrindo, os que possuem companhia.
Mas, que triste natal para os que vivem sozinhos!
Que triste festa para os famintos em agonia!

Corramos a lhes levar fraternidade!
Jesus é nosso Irmão brilhando na eternidade!
Contemos a todos a Boa Nova!

Abracemo-nos em nome da Esperança,
Que nos chegou junto ao Cristo criança!
Do seu grande Amor o Pai nos deu a prova!

Alceu Wamosy/Cidinha.

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Coragem


Nunca desistas! Por mais que a dor, lúgubre, em aspereza,

Encha-te a vida de espinhos aduncos,

Pois o maior de todos os trunfos

É transformar essa dor em luz, em pureza.


Só a pureza nos trará a felicidade real!

Só a dor paciente e resignada nos trará o brilho!

Por isso, não te imobilizes ante o trilho,

Que possa te parecer muito longo e abismal!


Para que te enchas de coragem,porém,

É preciso que te unas ao Deus de Amor

Que no enviou Jesus, o Mestre e Senhor,

Há tanto tempo, humilde, lá, em Belém.


Alceu Wamosy/Cidinha.

Pensamentos Poéticos

Meus filhos e a música...

Poeticamente, sempre que estava grávida ,uma música me envolvia , de alguma maneira,
tornando-se tema daquela gestação. A letra representava aquele amor que chegava e crescia
mais a cada dia. E de acordo com cada momento,de cada gestação, a música me ensinava
algo sempre, me consolava às vezes, me alegrava outras, tocando com esperança o meu coração.
Tenho três muito amados filhos: Vitória, Estela e Vitor.São três talentos, espíritos corajosos e
esforçados que Deus confiou-me e ao Fábio, nesta existência a fim de cuidarmos, orientarmos,
amarmos... E que muito nos têm ensinado.

VITÓRIA : nascida em 19 de setembro de 1992 ( minha filha mais velha)

Música: "Quando entrar setembro e a Boa Nova andar nos campos, quero ver brotar o
perdão do que a gente plantou, juntas outra vez... " ( Beto Guedes)


ESTELA: Nascida em 11 de abril de 1994 (minha filha do meio)

Música: " vieste na hora exata com ares de festa e lua de prata...Vieste com a cara e a coragem, com malas, viagem pra dentro de mim ... meu amor..." (Não me lembro o cantor)


VITOR: Nascido em 16 de março de 1998 (meu filho caçula)

Música: " Se pensas que esta Terra te pertence, você tem muito ainda o que aprender...
A árvore aonde irá? Se você a cortar nunca saberá!..."( Do desenho Pocahontas )

Agradeço todos os dias a Deus pela minha vida, meus pais e os filhos inteligentes e sensíveis e
amorosos que eu tenho e por ser cada um tão especial para mim e, com certeza para todos
que com eles convivem e conviverem futuramente.

Lembranças...

A casa das bananeiras



Era o ano de 1964 ,possivelmente no final.

Havia no ar um clima de alegria, novidade.Pelo menos é o que sinto daquele dia. (Bom é Deus

que não nos permite lembrar de outras vidas , nem prevermos nosso futuro, o que , no primeiro caso, ajuda-nos a recomeçar uma relação afetiva como se fosse do zero e, no segundo, mantém-nos sempre viva a esperança de dias melhores: mais calmos,mais claros,

mais iluminados...

A minha lembrança, que é mais sensação do que memória, é da nossa mudança para uma

casa de tijolos, com um grande quintal e uma sala com piso de vermelhão,onde muito brilho

daríamos; fosse com os pés, mãos ou até com a cabeça! Só mesmo o banheiro, que ficava

do lado de fora, não consigo relacionar nem mesmo com a palavra "bonitinho".

Havia na cozinha uma prateleira feita com uma tábua comprida, onde minha mãe colocaria

suas panelas .Ali alguém me pôs sentadinha por um instante. Essa pessoa sorria, estava mesmo contente...Mas não me recordo do seu rosto. Pode ter sido meu pai, minha mãe, ou um

dos meus ( até aquela data e porque a Fátima também era muito pequena) cinco irmãos:

Geni, João, Ana Maria, Olinda Maria e José. O senhor Antonio Antunes de Oliveira e a Dona

Alice Leme de Oliveira ainda teriam mais duas filhas, que nasceriam naquela casa:

Marília da Penha e Roseli Tadeu.

Lembranças...

Bolo Pulman e guaraná



Naquela época nã o havia muitas opções de bolos de sabores artificiais industrializados ,nem de

pães de forma ou biscoitos; nem mesmo de refrigerantes. O guaraná era Antártica , a cocacola

era da Cocacola, os biscoitos Tostines, os absorventes higiênicos eram Modes( Ah! Não! Ainda

não havia absorventes higiênicos!). Bem, vamos ao que interessa, ao que muito me interessou

e agradou no meu aniversário de 4 anos.

12 de outubro de l965: Meu irmão João, que era padeiro, trouxe, especialmente para mim,

bolo pulman e guaraná, para comemorar o meu aniversário. Minhas lembranças desse dia

estão no meu coração,posso senti-las até hoje,ainda que não tenha muitas imagens.Acho que naquela noite nem tive medo, de tão feliz que estava!No entanto,se tive,foi resolvido muito facilmente: domir com meu pai e minha mãe! Quando estamos envolvidos na energia do amor puro, bicho-papão nenhum se aproxima!

Lembranças...

Chuva de Natal

Não me lembro de alguém mais junto de mim e do meu pai .Para mim , éramos apenas ele ( meu papai
querido,meu protetor, aquele que todas as noites nos levava , quando chegava do trabalho, balas quinze)
e eu naquele dia (à tarde ou à noite) tomando aquela chuva no caminho de volta para casa. Voltávamos
de algum empório, onde forâmos fazer compra para a ceia de Natal. Ele segurava a minha mão e eu estava
muito feliz! Minha memória emotiva me faz sentir de novo tantas alegrias vividas na minha infância.!
A ávore meio torta de Natal, as bolas vermelhas(quebráveis)... Eu adorava ficar olhando para nossa árvore!
Só de olhá-la sentia o Natal se acender dentro de mim. Meu pai sempre trabalhou muito! Minha infância foi
pobre materialmente, mas muito rica de amor, de proteção. Quase chegava a enchergar o vínculo espiritual
que havia entre meus pais e eu. Só Deus sabe (eu tive alguma noção disso mais tarde) o quanto foi importante, vital para o meu desenvolvimento psicológico, para a minha sobrevivência mesmo neste mundo
tão doente ainda, a presença dos meus pais na minha vida.
Houve muitos e muitos natais iluminados, coloridos, cheirosos,chuvosos...Porém,meu pai e eu voltando com a sacola de compras para a ceia de Natal, só me lembro desse... de 1965 ou 1966

Por mais conflitos, problemas, dificuldades que eu tenha e/ou que ainda possa vir a ter, sempre vou amar o
Natal, sempre vou esperá-lo com o coração meio que voando com suas asas feitas de uma alegria que
sempre se antecipa à noite de Natal. Como naquela música do desenho do Peter Pan: " Pense uma coisa
bem boa e num instante você voa... Pense o Natal a chegar...